27
Jan 12

Mas entretanto...

... fiz isto e gostei. Não sou de Luanda, mas está aqui uma bela descrição:

 

Luanda, cidade em movimento

 

 

 

 

É a cidade mais populosa de Angola, é também considerada a mais cara do mundo*, tem actualmente uma miscelânea de gentes e culturas que quase lhe dão o apelido da mais cosmopolita entre as cosmopolitas. Mistura o étnico e o sofisticado e num bulício incansável parece acordar todas as madrugadas, mas adormecer nunca.

 

 

A agitada Luanda de hoje, que foi durante alguns séculos o porto negreiro mais importante da costa atlântica de África é, passados 436anos, centro de negócios, atracção de investimento para os quatro cantos domundo.

 

A história poderia começar por “Era uma vez um capitão português…” estaríamos a falar de Paulo Dias de Novais, capitão que desembarcou na Ilha do Cabo em 1575 e fundou em 1576 a povoação de São Paulo da Assunção de Loanda, como porto negreiro e baluarte militar português próximo da foz do Rio Cuanza.

 

São Paulo da Assunção de Loanda é fundada no antigo monte de São Paulo, actualmente Fortaleza de São Miguel, primeira estrutura defensiva construída em Luanda e em Angola.

 

Postal de Luanda, símbolo da presença portuguesa, que a história não apagou e que tem sofrido obras de conservação, alberga o Museu das Forças Armadas.

 

Diversas vezes apelidada de cidade dos musseques, Luanda tem cerca de cinco milhões de habitantes e é a terceira maior cidade lusófona do mundo, atrás do Rio de Janeiro e de São Paulo.

 

Em constante mutação, os locais e monumentos que ontem foram cartão de visita são ainda as meninas dos olhos bonitos da cidade à beira-mar plantada, que um dia nasceu na Ilha do Cabo e cresce sem parar.

Da Baía de Luanda ao Mussulo, do Miradouro da Lua à Fortaleza de São Miguel, das edificações modernas de Talatona, à arquitectura colonial da Baixa da cidade, dos mercados informais aos centros comerciais, dos carros de luxo aos candongueiros (taxistas Hiace), tudo pinta a cidade que faz parte do triângulo Atlântico Angola, Brasil e Portugal e a 25 de Janeiro comemora o seu aniversário.

publicado por baía azul às 19:37 | comentar
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De regresso e fora de órbita

Já estou em Luanda outra vez.

A bela surpresa é que há dez dias e pouquíssimas queixas tenho que fazer à Edel. Aliás nenhumas!

Ouvir zumbidos de geradores só por mero exercício de manutenção, o que é prazeroso.

Por que motivo tanto silêncio?

Ando a tentar acalmar a alma. Quando estiver em paz e souber priorizar voltarei.

Mas uma coisa é certa, rara é a vez em que em paz, feliz, ou não, não estou fora de órbita.

 

Ah Luanda, tenho que fazer muito boa muxima...

publicado por baía azul às 19:34 | comentar
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01
Dez 11

Smile on your brother

Estava a ouvir Lizz Wright e fixei a frase que uso como título.

Porquê? Simples!

Cada dia que passa e um obstáculo se coloca no meu caminho tenho alguém sorridente que me agarra e me puxa.

 

Estava descrente na boa vontade de cada um em Luanda. Não dos que me querem bem por natureza, não dos que me conhecem, mas do desconhecido que passa na rua e ou finge que não enxerga ou tenta passar por cima e muitas vezes consegue.

 

Mas um gesto simples surpreendeu-me e fez-me pensar nas mil coisas que correm mal e como podem ser dissipadas num minuto.

 

Estacionar o carro aqui não é coisa fácil.

Cheguei já era algo tarde. Fiz a manobra uma, duas vezes e ouvi uma buzina. Claramente o meu pensamento foi: "mais um impaciente, bolas!"

 

Enganei-me e muito.

A buzina era para sinalizar que estava quase em cima do veículo de traz.

Olhei e o condutor que buzinou foi me ajudando a fazer a manobra.

 

Disse: "Uau! Não acredito que há disto em Luanda"

 

Há sim... há mais. É preciso trilhar com calma.

 

Terreze... este é para ti. Pouco poético. Pouco inspirado, mas sincero e justo. De vez em quando (no meu caso muitas vezes) estamos sufocados e só vemos o mau e não vemos um pouco do bom que se nos apresenta com tanta boa vontade.

 

Por muitos radiadores que se me furem, carros em que bata, travões que me faltem e pneus que se me furem também!!! Ainda assim há uma estrela, uma lua, uma linha invisível cheia de luz, ou a comum palavra "sorte" que não me desampara.

 

Na sorte coloco os amigos, a família, a escrita que me liberta!

 

Este post fazia aqui falta... Agora vou ali e já volto :)

publicado por baía azul às 18:55 | comentar
11
Nov 11

A dipanda

Aprendi esta noite que hoje é o dia da dipanda.

E o som da palavra ficou a vaguear, sozinho, aguardando por melhor esclarecimento.

Não é preciso ser inteligente para entender que a dipanda está associada à independência, à comemoração do país livre do jugo colonialista.

 

Hoje ouvi um dueto improvável: Carlos do Carmo e Higino Carneiro, no hotel Victoria Garden.

 

Hoje fiz a mala, trabalhei o quanto pude, tomei o pequeno-almoço às 3h30 da manhã, aproveitei a boa-vontade da EDEL.

 

Às 4h30 ponho-me a caminho. Luanda precisa de um descanso meu.

publicado por baía azul às 02:18 | comentar
08
Nov 11

Paga o justo pelo pecador

       (Até agora mil e uma ideias já passaram pela cabeça. Pelo menos 100 questões puseram à roda o meu raciocínio. Até aquele líquido salgado quis dar de si - não deixei!)

 

Tenho vivido dias que demonstram o quão certo é o ditado: "paga o justo pelo pecador". É um lugar-comum, sem dúvida, e tão comum que tem sido a rotina. Cada dia, há uma situação que me prova que estou à prova.

 

Eram 6h da manhã e o espírito estava desperto. Ando há semanas a tentar tratar do bilhete de identidade - um documento que deixou de ser um direito para ser um privilégio e, como todos os privilégios, de difícil acesso.

 

Não tem sido por falta de esforço, as madrugadas têm sido minhas. Agarro-as com paixão e faço-me aos postos de identificação: aos fixos, aos móveis, aos cheios, aos vazios. A todos sem excepção.

 

Nuns não há sistema, mas todos os dias, nas rádios ouvimos, nas televisões vemos, nos outdoors e nos jornais lemos, que é fácil e rápido e ainda por cima é um direito que nos assiste, obter o documento de identificação. Bom, os slogans falam por si, as campanhas andam aí. Mas quem manda é o sistema!

 

Noutros a enchente é tanta que quem nunca tratou de BI também não vai tratar nesse dia.

 

Naqueles em que o sistema manda pouco e a enchente não é a rainha, alguém se lembra de pedir documentos nunca antes pedidos. Desta vez foi a cédula pessoal, outrora votada ao ostracismo e de quando em quando recuperada para levantar constrangimentos.

 

Parecia um filme com um título tão corriqueiro quanto "O drama na cidade capital". A correr de um lado para outro porque tudo o que quero é ter um simples BI.

 

Mas se a tudo isso pudermos juntar o acidente que tive às 7h da manhã, conseguimos entender por que motivo se diz que é nas províncias que se está bem.

 

Ainda não tinha feito 100 metros quando bati no carro da frente à saída de casa. O susto, o stress, a preocupação para saber se estavam todos bem e o estar a empatar o trânsito foram os primeiros pensamentos.

 

A seguir falei com o motorista. Levava crianças. Estavam bem, sorriam e brincavam. O dano material no carro não era nada de preocupante, mas havia que assumir a responsabilidade.

 

Pedi-lhe para ligar à patroa. Expliquei à senhora o que se tinha passado e que teria que ir tratar de uns problemas pessoais e já que o prejuízo era felizmente material voltaria a ligar depois de entrar em contacto com a seguradora. Dei-lhe todos os meus contactos, ficou com a matrícula do carro, com o nome da empresa em que trabalho. Enfim. Fiz o que devia ser feito.

 

Passaram uns bons minutos e a dona do carro volta a ligar. Queria saber se já estava tudo tratado.

Não estava, como tudo na cidade capital, não estava tratado. Teria que esperar.

 

Ligou-me o marido a pedir que eu fosse honesta. Pois mais honesta eu já não podia ser.

Ligou a mulher de novo a perguntar onde eu andava.

Voltou a ligar porque queria ir "já" para a seguradora.

Pedi-lhe alguns minutos, eu tinha ficado sem carro e ela tinha que ter paciência. A ligar-me de 5 em 5 minutos não me estava a ajudar.

Voltou a ligar e agora num tom de ameaça: "a que horas está no escritório? Temos que ir à seguradora! Dê-me os seus dados pessoas. Quero o seu nome completo. Quero os seus documentos!"

 

Eu não podia acreditar. Se eu quisesse fugir atendia todas essas vezes? Enviava o meu cartão de visita? Ligava-lhe a seguir ao acidente a assumir a culpa?

Bom, talvez aqui haja gente capaz de o fazer.

 

Não dei todos os meus dados, apenas o nome. Afinal, ela já o tinha no cartão de visita.

Voltou a ligar: "falei com o meu advogado. Eu tenho que ter toda a sua documentação, da empresa, do carro..."

 

Bom, seria ela a seguradora em pessoa? Claro que não. Mas as pessoas desconhecem as regras e pecam por excesso!

 

Na seguradora resolvi o que tinha a resolver. Liguei-lhe e pedi que me enviasse todos os documentos do carro, do motorista e os do proprietário do carro.

Depois da peritagem liguei-lhe a informar que fosse à oficina e enviasse o orçamento.

Respondeu-me que a desculpasse, pois eu já devia saber como é aqui (na cidade capital).

 

Pois, de facto não sei! Não sei como pude ter sido insultada e pressionada como se de uma criminosa se tratasse.

 

A verdade é que a maior parte dos luandenses não está habituada à seriedade das pessoas e não confia.

A verdade é que a maior parte das pessoas bate e foge. Dá números falsos. Não tem os seguros actualizados, ou nem sequer tem seguro.

Eu sei de tudo isso, mas ainda assim, depois de 10 chamadas todas elas atendidas e com todos os dados em sua posse, a senhora em causa podia ter tornado a minha manhã num martírio menos penoso.

 

Lembro-me dos tempos em que nos orgulhávamos de ter o maior mercado informal a céu aberto de África e temo que desde esse tempo até então o nosso conceito de evolução se mantenha deturpado.

 

Tive um dia difícil, que ainda não acabou.

publicado por baía azul às 14:06 | comentar
02
Nov 11

Sem travões

IMG_20111101_132651.jpg

A hiace perdeu os travoes e passou a fazer parte do monumento. Foi sexta-feira passada.

Localização: A descer a rua do palácio, em direcção à rua da Assembleia, para quem vem do Palmeiras Club.

publicado por baía azul às 22:36 | comentar
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Sampourna, o último

Vi-o arder na minha mão, estalando a cada brisa de vento que passava. Inalei-o como se se tratasse do último elemento precioso a absorver e o amanhã não chegasse nunca.

Mirei-o e à sua luz vermelha. Pedi que o momento se eternizasse e eu não precisasse de sair mais daqui.

Não foi o prazer de o consumir, mas o prazer de imaginar o tempo parado. O poder de estar aqui, num estado só meu, a desejar que nada mais se movesse.

Claramente não é o vício que mais me apraz. Tive que compensar com o pontche do tio Bituca.

A sensação do depois é de inércia e uma certa náusea. Mas a alma pedia que o  fizesse.

Nos lábios senti o doce do sampourna, o salgado das lágrimas, o doce do pontche, o amargo da alma.

Fiquei o tempo suficiente para as nuvens desvanecerem e darem lugar a um quarto qualquer de lua.

Não sou capaz de me levantar.

Quando o fizer estarei livre… fumei-os todos. Em ocasiões diversas é certo, e fica apenas a certeza de que cada vez que o faço é por motivos que os meus sentimentos não descortinam.

Resta somente a certeza ébria de que esta é a última vez.

Creio que é a tentativa de que algo mude. Não vai acontecer.

Fica a vontade de expurgar hoje para não fazê-lo amanhã. Não vai acontecer.

Os nossos sentimentos movem-nos e nada mais nos pode controlar, por muito egocêntrico que o considere. Sim, é egocêntrico escrevermos constantemente sobre nós e as nossas angústias. É também injusto escrever sobre outra coisa qualquer. Em matéria de sentimento alheio não tenho expertise.

Agarrei num cigarro, num copo e numa varanda e abracei a solidão que esta cidade me causa.

publicado por baía azul às 21:09 | comentar
31
Out 11

quero mas não consigo

Está um calor desgraçado.

Tenho uma série de peripécias para partilhar... mas não consigo. O meu pensamento está preso ao calor e a outras tantas vontades estranhas e limitações absurdas.

O sono, o cansaço, o barulho dos geradores, o cérebro imparável que nem traz nada de novo. A ansiedade, enfim.Verdadeiros obstáculos.

Queria expurgar mas não consigo.

publicado por baía azul às 21:17 | comentar | ver comentários (2)
12
Out 11

O que eu quero

Soube da morte de André Mingas, estava a preparar-me para dormir.

Trazia o sono do dia inteiro e estava a fazer um esforço extra porque tinha marcado uma conversa com uma amiga, via skype.

Entrei em casa a arrasta-me. O sono tomava conta de mim. Esperei até a amiga chegar e quando nos despedíamos gritei: morreu o André Mingas!!!

O espanto devia-se a dois motivos: por um lado era o choque de saber que uma pessoa que cantou para mim na infância desaparecia hoje.

Por outro previa várias horas de trabalho, a recolher informação e a publicá-la, para fazer primeiro ou fazer melhor.

 

A verdade é que o trabalho nunca acaba. E amanhã será a saga por causa deste infortúnio.

 

Interrompi o trabalho para ir até à cozinha e senti o tremor do chão.

Não, não se trata de tremor de terra, mas do vibrar do prédio com a força do trabalho dos geradores incansáveis. Olhei para o chão e pensei no óbvio: vou ficar sem luz bem antes de conseguir publicar mais qualquer update que seja.

 

Mas alguém andou a mexer os pauzinhos e posso agradecer:

 

Ainda ter combustível no gerador, para ter tudo pronto em tempo útil, inclusive o meu post de hoje

Ao bom senso de ter vindo para casa

À insitência da amiga para conversar comigo, só assim pude manter-me acordada

À magia das redes sociais que fazem tudo correr mais rápido

 

Luanda hoje, apesar dos pesares, deixou-me trabalhar!

Obrigada!

 

deixo-me ficar com "o que eu quero" mesmo que saiba apenas o que não quero. Conjuga bem, tem sido o tema das nossas conversas

publicado por baía azul às 02:20 | comentar
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07
Out 11

A vaca púrpura

Em Luanda estamos sempre a aprender.

Hoje houve quem comentasse no meu FB que sentira falta do meu olhar clínico.

No fundo todos vemos e até nos damos conta, só não queremos ter trabalho a registar.

Eu gosto deste trabalho de registar. De espicaçar. Dá-me a boa sensação de que os astros estão todos alinhados e encontram-se sempre que podem.

Sinto-me a lua a observar.

Hoje em particular gostei da analogia da vaca púrpura do apresentador da Superbrands:

"O importante é ser diferente. Bater palmas de forma diferente, andar de forma diferente, mas acima de tudo ser a vaca púrpura do pasto!" Não resisti à analogia!

 

publicado por baía azul às 00:53 | comentar
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