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De Lisboa a Luanda, mais do que ensinar, aprender!

por baía azul, em 04.07.11

 

Ao aterrar em Luanda não senti aquele bafo a que estamos todos habituados. A noite estava amena, para muitos até estava frio. Para mim apenas ameno.

Não sufoquei, como se costuma dizer ou acontecer no momento em que se sai do avião.

Estranhei não ter sentido isso mas também respirei de alívio. Podia ser um sinal de menos estrangeirismo da minha parte.

Entrei no controle de passageiros: nacionais, estrangeiros, palops. Senti-me encaixar em qualquer um deles, mas optei pelos nacionais, sem antes voltar a verificar o meu passaporte. Sim, era preto, mesmo ao lado do marron (esta segunda cor é discutível, mas na dúvida entre vermelho e castanho, escolho o marron).

 

Ligo para a portuguesa (pula) que está à minha espera do outro lado: “Como é? Qual é a minha fila?” “A mais à esquerda possível”, responde.

Eu não estava na mais à esquerda, pus-me só mais um bocadinho à esquerda e fui sorrindo para toda a gente.

 

Na polícia de imigração a coisa fez-se bem. O senhor sugeriu a outro passageiro que desse a vez à senhora, eu pois claro, e simpática segui em frente, torcendo para que não me fizessem perguntas. Nem a morada, nem tão pouco um número de telefone trazia de cor para que pudesse passar por residente. Mas se todos tivermos que ser residentes no nosso país de origem há que confessor, seria uma grande seca!

 

No tapete da bagagem quase nada passava. Os acostumados a esta viagens, demoras e outros contratempos auguravam o pior. Malas desviadas, malas abertas, malas para a zunga.

Passaram duas horas, mas todas chegaram. Fechadas tal como as deixei. Perfeito! Podia agora sair e ir ter com a pula que só dizia “fica só já!”. Ya! Fiquei mesmo, bem presa na alfândega depois de confundirem caixas de lápis de cor com caixas de CDs!

 

Com factura ou sem factura, regras são regras. Brinde ou não, quem sabe se tem valor comercial é a senhora que faz a revista. Ah pois! Da próxima vez não me ponho a tentar ensinar ao outro aquilo para o que, em princípio, ele foi pago para fazer. Não repetirei a façanha, embora tenha de imediato agarrado na minha humildade e posto em prática para me desculpar, podia ter corrido pior.

 

Nos aeroportos tudo o que se pode dar são voltas. Pese aqui, assine ali, entregue do outro lado. Se concordar paga e leva, se não concordar fica e paciência. Os lápis de cor para a criançada contariam outra história. Tudo foi feito de acordo, inclusive o pagamento.

 

À última tia* que me atendeu garanti que não precisava de ajuda para carregar as caixas que ia recuperar, porque o funge me esperava dia no seguinte. Ganhei o sotaque, brinquei com a senhora e fui embora. Afinal, por muito que custe pagar mais uma taxa, sem uma explicação muito clara, cada um com o seu trabalho.

 

Para o jantar pedi o simples e recebi o requinte. No Caribe, na Ilha, a grelhada mista está-me no paladar até hoje.

E não, não era uma grelhada mista dessas a que estamos habituados quando vamos aos jantares de estudantes em Lisboa, bifanas, salsichas e costeletas. Era uma senhora grelhada de peixe e marisco, com o tempero certo e a demora razoável.

 

Comi e bebi o bom ambiente que circundava, já em processo de mentalização da notícia com que fui recebida: “Não temos luz e não vais tomar banho!”

Ora negue-se tamanha recepção! Há que valorizar.

 

#day 1

 

*tia: senhora mais velha que tratamos com respeito e simpatia, apesar de não ser nossa parente

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publicado às 01:26



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