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Talvez... o medo

por baía azul, em 31.08.13

Por norma sou de muitas palavras. De sorriso largo, olhar curioso e inquisidor. Um ser convencido de que vai fazer melhor.

Hoje ouvi, deixei falar, absorvi e realizei o medo.

Pareceu-me ter ouvido "vai-te embora".

Nem sou de fantasmas, nem de teorias da conspiração.

Mas eu ouvi "vá-se embora, que a menina não é daqui. Vai enquanto é tempo".

"Para a semana quando perguntar: então a menina? Olha viajou... É isso que quero ouvir".

E entre os recados que deixaram de ser subliminares, vieram os elogios "És demasiado bonita para perder isso".

Talvez tenha sentido medo. 

Não posso detalhar a conversa, porque talvez tenha sentido medo, porque ela vinha cheia de recados e olhares penetrantes de alguém com antiguidade suficiente para me fazer entender que tenho a juventude que posso não querer preservar ou posso querer.

Ao optar pela primeira poderei ficar, manter o meu espírito e perceber tarde demais de que devia ter saído.

Ao optar pela primeira poderei sair, manter o meu espírito e viver "junto de pessoas mente aberta como eu".

Ao optar pela segunda poderei ficar, esconder o meu espírito, ser outra pessoa que não eu, mas ajustável e útil para outros fins.

Ao optar pela segunda poderei ficar, esconder o meu espírito, ser outra pessoa que não eu e apagar-me.

 

Pela primeira vez recebi um recado, com a conclusão clara entre ambas as partes de que o entendi!

 

"Você é do mundo..." despediu-se!

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publicado às 23:00

Do prazer e do ódio

por baía azul, em 31.08.13

Quando te conheci odiei-te. Achei-te um ser vazio, cheio de algo sem nada, empertigado. Odiar... Talvez seja demasiado. Simplesmente não gostei do que transparecia, da vaidade que exasperava, da certeza de tudo saber e dominar. Odiei também o momento em que ouvi: "não pensei que fosses tão fixe". Enchi-me de humildade e sorri. Pensei com aquilo a que chamam botões "engraçado alguém pensar que não sou fixe". E, pensei mal. Enchi-me do sentimento errado. Talvez, pela primeira vez, o meu instinto animal estivesse correcto desde o início. Certo de que não haveria mais do que um vazio longo e de tal modo espaçoso que parecia ser gente, alma, corrente, mão e palma. No meu composto de mudança, a minha poesia fez-se de um tu que em tudo era plena fantasia. Desejo louco de notas ensurdecedoras, inconsciência pura, dormência, entrega, ignorância. Um silêncio, um nada, sem metáfora, nem eufemismo, gritar perdido entre o gelo, serpeantear, perder, derrotar

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publicado às 03:29

Des(a)venturas com a Gina - os invólucros intocáveis

por baía azul, em 27.08.13
Ela bem limpa e arruma. Até pede panos limpos, novos detergentes, tudo a que tem direito.
Eu compro, eu só a quero ver feliz... E a mim também!
Troca-me as coisas dos sítios, por muito que eu insista que os cremes são de um lado e a bijuteria do outro.
Uma ou outra peça tem lugar cativo nesta cómoda, tudo o resto vai sirandando consoante o tortuoso sentido de estética da Gina.
Mas é curioso que alguém que tanto limpe e que, por acaso, também mova as coisas, portanto toca-as, sente-as e consegue ter noção do que são, ainda que não saiba para que servem, não perceba, ou não arrisque perceber que qualquer um desses "acessórios" é dispensável directamente para o lixo.
Na cómoda vermelha, entre caixinhas de brincos, pulseiras penduradas em espelhos, fios em espelhos pendurados, estojos de maquilhagem e outros acessórios, ficam de vez a vez invólucros perdidos.
Lâminas de comprimidos vazias, pacotes de Eno para a famosa asia fulminante nas madrugadas, discos de algodão usados para limpeza de rosto. Tudo objectos que a mim parecem dispensáveis, sendo eles próprios a razão pela qual uma Gina é necessária.
Mas certo é que para a Gina eles são acessórios, detalhes úteis nem que seja para decoração e são também a prova de que encontro tudo tal como deixo.
Não tinha antes parado para pensar neste processo de levantar um disco de algodão, limpar a pequena circunferência e voltar a pousar o disco. Não tinha nunca colocado a hipótese de inspeccionar o serviço e identificar durante meses a fio este handicap, por vezes ultrapassado por mero acaso.
Similar só o levantar o tapete e varrer o lixo para debaixo. Sorte que não tenho tapetes nesta casa.

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publicado às 00:24

Des(a)venturas com a Gina - o balaio de caruncho

por baía azul, em 26.08.13

Surpreendi-a esta tarde.

Encontro a porta aberta, o rádio a tocar kuduro numa estação popular e ao longe se ouvia um chiar de limpeza (talvez).

Fui à cozinha, abri o frigorífico, tirei o almoço (já passando da hora de almoço há boas horas), pousei o computador no sofá e ao pousar as chaves no móvel da sala o tilintar das mesmas chamou a sua atenção.

Veio a correr assustada... ufa era só eu!

Voltou aos seus afazeres.

Aproveitei esta chegada surpresa para meter a minha colher de tarefas não previstas.

Na cozinha percebi que no balaio, não muito colorido, nem muito grande, mas com o tamanho ideal para aquele cantinho em cima da pedra, onde coloco os sacos de chá e as cápsulas de café estavam os fósforos e o saca-rolhas. Dou então conta que os pacotes tinham algo estranho. A minha Gina vai enchendo o balaio, usando-o como depósito das coisas que ela não sabe onde colocar, mas em momento algum levanta as coisinhas ou o próprio balaio para limpar a zona onde ele fica.

Naquele lugarzinho foi-se criando o caruncho, por baixo do balaio, de fundo meio roxo, a querer caminhar para preto.

Distraída como é, a Gina também deixa, sempre que é dia de passar por casa, a luz da casa-de-banho acesa. A minha curiosidade, no entanto, chegava sempre depois da hora de saída dela, até hoje, dia em que lhe pergunto afinal por que motivo a luz fica sempre acesa.

É como se fosse o sinal: passei por cá.

Mas eu sei que passaste, deixo nem que seja um garfo por lavar e encontro-o lavado quando passas, por isso não entendo. Sendo a luz um bem que se paga, fez-me maior confusão.

"Gina, deixa sempre a luz acesa, porquê?"

"Porque sei que a senhora chega sempre tarde, já está escuro e assim pelo menos tem já a luz".

Ora, faz sentido!

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publicado às 16:08

Curta pausa em Luanda

por baía azul, em 24.08.13
Curta pausa em Luanda


"Sabias que as meninas não têm pipi?"
A pergunta chamou a minha atenção. Levantei os meus ouvidos da leitura e, fazendo de conta que não estava ali, ouvi o resto da conversa.
"Ai não?"
"As meninas têm uma risca no meio, em vez de terem pipi. É sério!"
O riso seco e suave da sua ouvinte ecoou no jardim da piscina.
Ele continuou:
"Não acreditas?"
"Como é que você sabe?"
"Então? Eu vi a minha mãe a fazer chichi e vocês são mesmo assim!"
O som do sim era de tamanho espanto que não ter pipi só podia ser um defeito.

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publicado às 13:08


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