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Primeiros dias nos EUA

por baía azul, em 14.11.13

No supermercado:
A senhora asiática estava muito indecisa sobre que frango levar.

"I like chicken soup, do you like chicken soup? Which chicken do you think I should take?"

Uou... Tenho magnetismo para estas coisas. 
Mas tentei resolver a questão da forma mais simples, dizendo que não sou daqui, enquanto ela agarrava em dois grandes frangos, que eu chamaria perus, se não estivessem identificados.

Ela entusiasma-se, no entanto: "where do you come from?"
"Portugal", respondo eu.
"Oh, you speak spanish!"
"No, portuguese!"
De testa franzida e expressão incrédula ela questiona novamente: "Portuguese!???"

No escritório durante as apresentações:
"Esta é a Mayra e vem de Angola"
Reacção: "Oh, so you speak some portuguese!"
Ah ta! 

#day1and2DC #aslinguas

#day3DC
No táxi:
"Where do you come from?" Pergunta o senhor paquistanês.
"Portugal"
"Oh, you [portuguese] speak like the koreans..." 

Rest my case!

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publicado às 02:01

Are you under 21? (Tens menos de 21 anos?)

por baía azul, em 13.11.13

Acompanhada da senhora de 79 anos, que simpaticamente me leva para almoçar, ela pede vinho para a refeição.
O empregado de mesa pára à minha frente e pergunta: Are you under 21?
Demorei a processar a pergunta...
40 minutos depois vamos a um supermercado. Ao pagar as compras ele pergunta: Can I see your ID?
Claro, desfiz-me em risos.
Até aí tudo bem. Mas a senhora de 79 anos não se conteve:
I can't bring you out anymore!
Twice in a hour?!
Já no carro, depois de pensar bem no assunto, ela reforça: 
Maybe you should keep your birth certificate with you, otherwise they won't believe you!

Ah ta... Obrigada

 

#day1DC

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publicado às 02:06

Perguntar não ofende

por baía azul, em 24.09.13
No elevador:
Ele: você cheira muito bem.
Ela: tomei banho
Ele: mas você tem que me dizer qual é o segredo para cheirar tão bem
Ela: silêncio
A porta do elevador abre e ele tem que sair.
Já do lado de fora ele diz:
Mas é mesmo só banho, só mesmo com água?
Ela: com gel de banho
Ele: hmmmmmm... Isso deve ser caro!

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publicado às 00:43

Talvez... o medo

por baía azul, em 31.08.13

Por norma sou de muitas palavras. De sorriso largo, olhar curioso e inquisidor. Um ser convencido de que vai fazer melhor.

Hoje ouvi, deixei falar, absorvi e realizei o medo.

Pareceu-me ter ouvido "vai-te embora".

Nem sou de fantasmas, nem de teorias da conspiração.

Mas eu ouvi "vá-se embora, que a menina não é daqui. Vai enquanto é tempo".

"Para a semana quando perguntar: então a menina? Olha viajou... É isso que quero ouvir".

E entre os recados que deixaram de ser subliminares, vieram os elogios "És demasiado bonita para perder isso".

Talvez tenha sentido medo. 

Não posso detalhar a conversa, porque talvez tenha sentido medo, porque ela vinha cheia de recados e olhares penetrantes de alguém com antiguidade suficiente para me fazer entender que tenho a juventude que posso não querer preservar ou posso querer.

Ao optar pela primeira poderei ficar, manter o meu espírito e perceber tarde demais de que devia ter saído.

Ao optar pela primeira poderei sair, manter o meu espírito e viver "junto de pessoas mente aberta como eu".

Ao optar pela segunda poderei ficar, esconder o meu espírito, ser outra pessoa que não eu, mas ajustável e útil para outros fins.

Ao optar pela segunda poderei ficar, esconder o meu espírito, ser outra pessoa que não eu e apagar-me.

 

Pela primeira vez recebi um recado, com a conclusão clara entre ambas as partes de que o entendi!

 

"Você é do mundo..." despediu-se!

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publicado às 23:00

Do prazer e do ódio

por baía azul, em 31.08.13

Quando te conheci odiei-te. Achei-te um ser vazio, cheio de algo sem nada, empertigado. Odiar... Talvez seja demasiado. Simplesmente não gostei do que transparecia, da vaidade que exasperava, da certeza de tudo saber e dominar. Odiei também o momento em que ouvi: "não pensei que fosses tão fixe". Enchi-me de humildade e sorri. Pensei com aquilo a que chamam botões "engraçado alguém pensar que não sou fixe". E, pensei mal. Enchi-me do sentimento errado. Talvez, pela primeira vez, o meu instinto animal estivesse correcto desde o início. Certo de que não haveria mais do que um vazio longo e de tal modo espaçoso que parecia ser gente, alma, corrente, mão e palma. No meu composto de mudança, a minha poesia fez-se de um tu que em tudo era plena fantasia. Desejo louco de notas ensurdecedoras, inconsciência pura, dormência, entrega, ignorância. Um silêncio, um nada, sem metáfora, nem eufemismo, gritar perdido entre o gelo, serpeantear, perder, derrotar

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publicado às 03:29

Des(a)venturas com a Gina - os invólucros intocáveis

por baía azul, em 27.08.13
Ela bem limpa e arruma. Até pede panos limpos, novos detergentes, tudo a que tem direito.
Eu compro, eu só a quero ver feliz... E a mim também!
Troca-me as coisas dos sítios, por muito que eu insista que os cremes são de um lado e a bijuteria do outro.
Uma ou outra peça tem lugar cativo nesta cómoda, tudo o resto vai sirandando consoante o tortuoso sentido de estética da Gina.
Mas é curioso que alguém que tanto limpe e que, por acaso, também mova as coisas, portanto toca-as, sente-as e consegue ter noção do que são, ainda que não saiba para que servem, não perceba, ou não arrisque perceber que qualquer um desses "acessórios" é dispensável directamente para o lixo.
Na cómoda vermelha, entre caixinhas de brincos, pulseiras penduradas em espelhos, fios em espelhos pendurados, estojos de maquilhagem e outros acessórios, ficam de vez a vez invólucros perdidos.
Lâminas de comprimidos vazias, pacotes de Eno para a famosa asia fulminante nas madrugadas, discos de algodão usados para limpeza de rosto. Tudo objectos que a mim parecem dispensáveis, sendo eles próprios a razão pela qual uma Gina é necessária.
Mas certo é que para a Gina eles são acessórios, detalhes úteis nem que seja para decoração e são também a prova de que encontro tudo tal como deixo.
Não tinha antes parado para pensar neste processo de levantar um disco de algodão, limpar a pequena circunferência e voltar a pousar o disco. Não tinha nunca colocado a hipótese de inspeccionar o serviço e identificar durante meses a fio este handicap, por vezes ultrapassado por mero acaso.
Similar só o levantar o tapete e varrer o lixo para debaixo. Sorte que não tenho tapetes nesta casa.

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publicado às 00:24

Des(a)venturas com a Gina - o balaio de caruncho

por baía azul, em 26.08.13

Surpreendi-a esta tarde.

Encontro a porta aberta, o rádio a tocar kuduro numa estação popular e ao longe se ouvia um chiar de limpeza (talvez).

Fui à cozinha, abri o frigorífico, tirei o almoço (já passando da hora de almoço há boas horas), pousei o computador no sofá e ao pousar as chaves no móvel da sala o tilintar das mesmas chamou a sua atenção.

Veio a correr assustada... ufa era só eu!

Voltou aos seus afazeres.

Aproveitei esta chegada surpresa para meter a minha colher de tarefas não previstas.

Na cozinha percebi que no balaio, não muito colorido, nem muito grande, mas com o tamanho ideal para aquele cantinho em cima da pedra, onde coloco os sacos de chá e as cápsulas de café estavam os fósforos e o saca-rolhas. Dou então conta que os pacotes tinham algo estranho. A minha Gina vai enchendo o balaio, usando-o como depósito das coisas que ela não sabe onde colocar, mas em momento algum levanta as coisinhas ou o próprio balaio para limpar a zona onde ele fica.

Naquele lugarzinho foi-se criando o caruncho, por baixo do balaio, de fundo meio roxo, a querer caminhar para preto.

Distraída como é, a Gina também deixa, sempre que é dia de passar por casa, a luz da casa-de-banho acesa. A minha curiosidade, no entanto, chegava sempre depois da hora de saída dela, até hoje, dia em que lhe pergunto afinal por que motivo a luz fica sempre acesa.

É como se fosse o sinal: passei por cá.

Mas eu sei que passaste, deixo nem que seja um garfo por lavar e encontro-o lavado quando passas, por isso não entendo. Sendo a luz um bem que se paga, fez-me maior confusão.

"Gina, deixa sempre a luz acesa, porquê?"

"Porque sei que a senhora chega sempre tarde, já está escuro e assim pelo menos tem já a luz".

Ora, faz sentido!

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publicado às 16:08

Curta pausa em Luanda

por baía azul, em 24.08.13
Curta pausa em Luanda


"Sabias que as meninas não têm pipi?"
A pergunta chamou a minha atenção. Levantei os meus ouvidos da leitura e, fazendo de conta que não estava ali, ouvi o resto da conversa.
"Ai não?"
"As meninas têm uma risca no meio, em vez de terem pipi. É sério!"
O riso seco e suave da sua ouvinte ecoou no jardim da piscina.
Ele continuou:
"Não acreditas?"
"Como é que você sabe?"
"Então? Eu vi a minha mãe a fazer chichi e vocês são mesmo assim!"
O som do sim era de tamanho espanto que não ter pipi só podia ser um defeito.

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publicado às 13:08

O (bom) recado de hoje

por baía azul, em 31.07.13

"Os olhos da nossa memória vêem melhor que os nossos próprios olhos"

...pior quando não vêem

 

Citação retirada de uma qualquer estação de metro...dessas cheias de sabedoria

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publicado às 21:11

Kwenda kue nene* com os mixeiros*

por baía azul, em 29.07.13

Desde que estou em Luanda, posso contar com todo o tipo de aventuras durante as viagens.

Já me aconteceu de tudo, de perder voos a deixar as malas no aeroporto, por não conseguir fazê-las embarcar ou mesmo ter discussões tolas à volta da "gasosa"!

 

Fora das viagens também já tive as minhas experiências. Muitas retratadas na famosa rede social Facebook.

 

Mas esta última não podia ficar num qualquer lugar difícil de encontrar, muito menos na memória, cada vez menos de fiar.


Começa mais ou menos comigo a tentar ser organizada e a comprar um bilhete de avião para Benguela com uma semana de antecedência.
Foram 24 mil kwanzas (240usd americanos, ao câmbio da kinguila) que custaram a sair do bolso, literalmente, entregues à canceladora Fly540 (companhia aérea).


Mas com bilhete na mão comprado, para sexta-feira, sem a possibilidade de viajar noutro qualquer dia seguinte, de repente vejo-me dentro de um cargueiro militar, na minha toillette desportiva, com malas (casual chic) a combinar. Nada podia ser mais contraditório e fora de contexto.


"Vem vem moça, vê só, cheia de não me toques! Vais perder! Lhe deixa!"


O mixeiro gritava e ignorava a minha razão de desconfiança, mas nem era ele quem me ia ajudar, era outro que já estava a entrar no carro para eu poder confiar no condutor.
A aventura começa um pouco antes, antes de me enfiarem num Toyota Starlet, azul escuro, vidros fumados e um indivíduo que nos tirava do aeroporto doméstico a caminho da base militar.

 

Chego ao aeroporto e bem antes de entrar para o check-in já alguém se dirigia a mim: "o voo foi cancelado".
Ou o fulano era adivinho ou estava encomendado, porque de facto a informação estava a ser dada à pessoa certa.

Corro para a loja da companhia do outro lado da estrada, cheira a tudo e mais alguma coisa numa rua de negociatas e "bisneiros", movimentada de gente e sons que me confundiam os sentidos.

 

Depois do reembolso na loja da companhia aérea, o fulano que me havia abordado no aeroporto não só me pede o dinheiro como o bilhete de identidade. Corre em direcção a um Starlet, "apenas" com o meu BI e grita:
"Entra moça." Orientou-me como se fosse natural pegar boleia sem destino, cheio de homens desconhecidos... num Starlet, atenção, num Starlet de vidros fumados.


Disse-lhe rapidamente que não entrava. Olhei para o carro com algum repúdio.
"Vem vem moça, vê só, cheia de não me toques! Vais perder! Lhe deixa!", gritava outro, a pensar no próximo cliente.

Confesso que entrei no carro com os medos a que tinha direito e com a parvoíce que me é característica.

 

Luanda, sexta-feira à tarde, uma cidade perfeitamente calma, sem situações inomináveis a registar, porque não entrar no primeiro Starlet que me aparece à frente e rumar sem saber o destino do condutor, mas com a certeza de que chegaria a Benguela? Pois, não há espaço para dúvidas.

 

Havia mais um passageiro. Bem menos preocupado que eu e que claramente contribuiu para a minha decisão de entrar no carro, a caminho da base militar.


Dentro do carro o assunto roçava algum moralismo e desilusão com a cidade de Luanda.
"Esta cidade não dá, não há amor ao próximo".
Eu queria rir-me com tamanha compaixão. Ele está a fazer o "processo", mas até na máfia há algum respeito, ética, certo?

 

O pão que chega para todos


Ao chegar à base somos entregues ao primeiro elemento, a quem o condutor do Starlet tem que pagar.
Depois somos entregues a uma segunda peça, que também tem que receber a sua parte. Essa segunda peça passa a um terceiro que pergunta de imediato pela sua parte.


De seguida somos enfileirados, ao bom estilo militar em direcção ao avião, pilotado por um russo que tem na cabine pelo menos 3 embalagens de Nesquik, um pó de chocolate para o leite que eu não via há anos.


E como é que sei isso? Porque como diria alguém muito próximo: "não se cancela o voo a alguém que sai nas revistas".
Piadas à parte, depois de esperar perto de uma hora que o avião militar estivesse operacional, consigo, através de contactos pessoais, sair caixa de carga, onde seguia já com algumas amizades feitas, uma carrinha género Mitsubishi L200, perto de uma centena de pessoas e muitas vigas metálicas,  para a cabine de quem comanda o bicho barulhento que solucionou o meu problema.


A aventura com destino à Catumbela e sérias intenções de chegar a Benguela ao aniversário de 50 anos da tia, tinha tudo para correr mal.
Durante a viagem não pude deixar de reparar na frieza militar e ao mesmo tempo na sua desorganização organizada.
Onde fiquei sentada não pude ver mais do que uma bacia com água suja de sabão e um senhor com cerca de 1,80 e muitos quilos, mas muitos mesmo em cima, que adormeceu feito bela adormecida, quase direito, sem se sentir afectado por um único solavanco do Hill que nos levava.

 

No processo destas boleias muita gente ganha. Os mixeiros do aeroporto são uns brincalhões de primeira e aparentemente pessoas de respeito e confiança. Só é preciso aumentarmos o nosso nível de tolerância no pagamento da mixa.
Não vou falar de valores exactos, nem tão pouco das patentes envolvidas. Prefiro. Mas façam as continhas. No processo estão entre 4 a 5 elementos envolvidos, se eles puserem cerca de 10 pessoas por dia num avião destes poderão lucrar 30 a 40 mil kwanzas por viagem (300/400usd americanos). É um pão garantido. 

Kwenda kue nene* - Andar de muito tempo - expressão idiomática (em umbundu) que os mais velhos usam para dizer que quem anda muito sofre as suas consequências, que aprendi com a minha avó.
Mixeiros* - pessoas que recebem um valor (decidido por elas) para facilitarem a vida a quem não faz as coisas pelos trâmites normais.

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publicado às 22:39


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